quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Sobre o propósito da vida

Ontem fui ao aniversário de uma amiga e, por acaso, sentei-me ao lado de sua mãe à mesa do boteco onde nos reuníamos. Num determinado momento começamos a conversar e aproveitei para perguntar como ela via a vida, o que a motivava, quais eram suas realizações.

Gosto de ter esse tipo de conversa com pessoas mais velhas, pois acredito que posso aprender como viver melhor. Uma das questões que acabam tocando a todos nós é que tipo de "obra" gostaríamos de ter construído durante a vida, o que gostaríamos de deixar como registro de nossa passagem.

O que me surpreendeu foram as respostas que ouvi. Com muita humildade ela me falou dela, dos filhos dela, dos interesses dela, dos desafios dela, das conquistas dela, dos planos dela.

Talvez até sem ter plena consciência disso, ela me fez entender que a grande obra de sua vida é ela mesma.

domingo, 7 de outubro de 2007

Eu só quero um xodó

(Dominguinhos e Anastácia)

Que falta eu sinto de um bem
Que falta me faz um xodó
Mas como eu não tenho ninguém
Eu levo a vida assim tão só
Eu só quero um amor
Que acabe o meu sofrer
Um xodó pra mim
Do meu jeito assim
Que alegre o meu viver

sábado, 6 de outubro de 2007

Perfumes e paixões

Uma das recordações marcantes de quando me apaixonei pela primeira vez, é que eu sentia o perfume dela o tempo todo, em todo lugar. Era tão real que eu procurava aquele cheiro nas minhas mãos, nas roupas, nos objetos ao meu redor, só para poder sentir um pouquinho mais...

Faz muito tempo isso. Depois me apaixonei profundamente só mais uma vez, e o perfume também foi marcante naquela época. J'Adore. Como mexia comigo... Ela e o perfume dela.

Hoje, desde cedo, estou sentindo um perfume agradável no ar, que não sei a quem pertence. Também não sei se estou apaixonado. Minha terapeuta diz que percebeu um "declínio" em mim desde que descobri que meu afeto por uma amiga ia além da amizade.

Daqui a algumas horas vou me despedir desse afeto, que está de partida para outro estado. Vamos assistir a um show de músicas românticas chamado "Só Nós".

Haja coração.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Validação II

"Acho que esse foi o melhor almoço que tive nos últimos 50 dias", disse esse meu amigo, demonstrando enorme satisfação, enquanto nos retirávamos do restaurante turco recém-inaugurado.

Ele tinha almoçado ali poucos dias antes. Tinha provado praticamente os mesmos pratos que selecionara para os que ali se reuniam agora. Os amigos eram os de sempre, com quem já fizera outras refeições também. Então, o que tornara aquele almoço tão particularmente agradável?

A resposta talvez esteja relacionada à rara felicidade que tenho vivido. Rara porque é uma felicidade serena, sem ansiedade, sem exaltação. Acho que ela advém da descoberta gradativa de quem realmente sou. Há algum tempo deixei de querer parecer alguém, para ser eu mesmo. Depois passei a prestar atenção no que os outros dizem a meu respeito, para mim. E estou gostando do que ouço. Acho que a isso chamam de "validação".

Naquele dia, durante a refeição, expressei a meu amigo minha admiração pela quantidade de histórias que ele tem a contar sobre qualquer assunto que surja à mesa. Senti que aquilo fez bem a ele. Eu o "validei".

O gesto, embora gratuito, acabou gerando uma validação de volta, pois me senti bem também por ter contribuído para fazer um dos melhores almoços de um amigo que admiro.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Validação

Hoje o segurança da empresa onde trabalho me contou que batizou seu filho de 1 ano com meu nome, em minha homenagem.

Temos uma relação baseada apenas em respeito mútuo e conversas atentas e sinceras de corredor, o que torna esse presente ainda mais especial para mim: é um sinal positivo às transformações que venho passando, um reconhecimento à pessoa que agora genuinamente sou.

domingo, 16 de setembro de 2007

Piadinha filosófica

"Um francês, um inglês e um alemão foram encarregados de um estudo sobre o camelo.

O francês dirigiu-se ao Jardin des Plantes, passou lá uma meia hora, interrogou o vigia, jogou pão para o camelo, cutucou-o com a ponta do seu guarda-chuva e, tendo voltado para casa, escreveu em seu diário um folhetim cheio de bosquejos picantes e espirituosos.

O inglês, carregando sua cesta de chá e um confortável material de acampamento, foi plantar sua barraca nos países do Oriente. Após uma temporada de dois ou três anos, trouxe de lá um espesso volume recheado de fatos sem ordem nem conclusão, mas de verdadeiro valor documental.

Quanto ao alemão, cheio de desprezo pela frivolidade do francês e pela ausência de idéias gerais do inglês, fechou-se em seu quarto para ali redigir uma obra em vários volumes intitulada: A idéia de camelo, extraída da concepção do Eu."

(A Filosofia, André Comte-Sponville, Martins Fontes)

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Suspensão

Estou há quase um mês sem escrever. Tudo está indefinido.