terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Gentilezas

Eu estava voltando de um evento nos EUA e teria que fazer um voo de conexão entre duas cidades americanas. Deixei para arrumar tudo na última hora e por pouco não perdi o voo. Fui o penúltimo passageiro a entrar no avião e notei que os comissários estavam agitados por conta do atraso no embarque.

Uma senhora de idade, vestida apropriadamente para o início do século XX, estava no corredor com dificuldade para acomodar sua bagagem no avião lotado. Um comissário se aproximou e disse que estávamos atrasados e que ela deveria levar a bagagem para a frente, mas ela queria ficar próxima da mala para trabalhar em suas contas. "I have to work on my bills", ela repetia. Impaciente, o comissário foi cuidar de outros assuntos.

Tentei ajudá-la. Fizemos algumas tentativas sem sucesso até que alguém da equipe conseguiu ajeitar tudo. Alguns minutos depois, já em meu assento, recebi um bilhete do tal comissário impaciente: "Obrigado por me ajudar com a senhora. Se você quiser comer algo, será por conta da casa (grátis)".

Tenho por hábito fazer pequenas gentilezas sem esperar nenhum retorno por elas. Faço-as mais por mim do que pelos outros. Mas esse agradecimento inesperado mexeu comigo... Encostei a cabeça na janela fria do avião e, com o olhar perdido no horizonte, cheguei à triste conclusão de que não me sinto suficientemente amado.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Lerdo

- Bom, é um romance, não? E num romance não é preciso dizer a verdade. Nem sempre é verossímel.
- Sim... Não, não! O que não é verossímel?
- Ah, Benjamín! Aquela parte, quando o cara parte para Jujuy... Ele chorando como se fosse uma perda... E ela correndo pela plataforma como se estivesse perdendo o amor de sua vida... Tocando-se as mãos através do vidro, como se fossem uma única pessoa! Ela chorando, como se soubesse que lhe esperava um destino medíocre, sem amor. Quase caindo sobre os trilhos, como se quisesse gritar-lhe um amor que nunca tinha confessado!
- Sim... Mas foi assim, ou não foi assim?
- E, se foi assim... Por que não me levou com você?
- ...
- Seu lerdo.

(Diálogo do filme "O Segredo dos seus Olhos", dir. Juan José Campanella, Europa Filmes)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Reciprocidade

"According to sociologists and anthropologists, one of the most widespread and basic norms of human culture is embodied in the rule for reciprocation. The rule requires that one person try to repay, in kind, what another person has provided."

(Influence Science and Practice, Robert B. Cialdini, Allyn and Bacon)

No último almoço destas férias foram servidos bombons com mensagens, como os biscoitos da sorte chineses. No meu estava escrito: "Tudo o que sabemos sobre o amor é que o amor é tudo".

Meu irmão tem dois filhos que sempre o amaram. Mas meu irmão não sabe amar.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Horas bem vividas

Acho que nunca mencionei aqui mas, há algum tempo, assisti a um filme chamado "Um dia muito especial", no qual o personagem principal carrega um daqueles relógios de bolso antigos, com o qual ele marca o tempo de vida realmente vivido. Sempre que algo muito bom vai começar, ele tira o relógio do bolso e liga o cronômetro. Quando o momento acaba, ele desliga novamente. O filme inicia no dia em que o personagem está completando 40 anos e o relógio está marcando 40 horas bem vividas.

Fiquei uns meses sem postar nada e hoje vim escrever sobre as biografias. Quando li o último post, sobre os riscos, lembrei que na semana passada corri um risco e que foi muito bom. Se eu tivesse um relógio como o do filme, eu teria acrescentado exatamente 7 minutos de vida ao meu tempo bem aproveitado.

Que fique como um lembrete para que eu viva cada vez mais desses momentos bons, que fazem o coração bater forte.

Biografias

Filmes e vídeos biográficos me assustam. Como a vida passa rápido...

sábado, 19 de abril de 2008

Um lugar na platéia

É preciso correr riscos, Jessica.
Eu tentei na caradura.
E sabe de uma coisa, Jessica?
Tive uma vida maravilhosa.

(Do filme "Um lugar na platéia", Danièle Thompson, França, 2006)

sábado, 15 de março de 2008

Um modelo real

Fui visitar uma amiga, por conta do aniversário de sua filhinha, e lá tive a oportunidade de conversar longamente com seu pai. Ele me contou que exerce sua profissão com prazer e dedicação, mas também com equilíbrio. Ele tem consciência de que a vida é finita e que deve ser bem aproveitada. Assim, aproveita todas as oportunidades que tem para fazer as viagens mais interessantes possíveis, sempre na companhia de sua esposa, de quem fala com sincero orgulho. Nos últimos 20 anos, só não puderam viajar juntos em uma ocasião. Eles construíram uma bela família e uma casa onde adoram estar.

Tudo em sua vida tem valido a pena, me disse ele. É, portanto, uma prova viva de que aquilo em que acredito, existe.